Cíntiazinha, talvez você ainda seja pequena demais para entender tudo o que a sua história vai construir.
Hoje, você conhece apenas uma parte dela: a menina que precisou deixar a escola, que viu os adultos preocupados, que tentou compreender palavras difíceis e que encontrou na imaginação uma forma de continuar sendo criança.
Mas existe algo que você ainda não sabe.
Essa menina vai crescer e transformar tudo aquilo que viveu em cuidado para outras pessoas.
A sua história não será lembrada apenas pelo que você enfrentou, mas principalmente pelo que escolheu construir depois.
Depois de muitos anos, nascerá o Instituto Possas Vencer.
Ele nascerá da sua história, da fé da sua mãe, da caminhada da sua família, da experiência da sua tia e de tantas mulheres que cruzarão o seu caminho.
O Instituto existirá para lembrar que o câncer não pode ser sinônimo de abandono, silêncio ou solidão.
Porque você sabe, desde pequena, o quanto é importante ter alguém por perto quando tudo parece confuso.
O Instituto Possas Vencer será um lugar de acolhimento para mulheres que enfrentam ou já enfrentaram o câncer.
Mas ele nunca olhará apenas para o diagnóstico.
Ele olhará para a mulher inteira.
Para sua história.
Para seus sonhos.
Para seus medos.
Para sua família.
Para tudo aquilo que existe além de uma doença.
Ali haverá escuta, orientação, capacitação, fortalecimento da autoestima, defesa de direitos, apoio emocional, projetos, encontros e caminhos para que cada mulher seja vista por completo.
As Possetes serão uma parte muito especial dessa história.
Elas não serão apenas mulheres atendidas por uma instituição.
Elas serão uma rede.
Serão mulheres com nomes, histórias, lembranças, fé, humor, desafios e recomeços.
Algumas chegarão precisando de informação.
Outras precisarão apenas de alguém que escute.
Algumas precisarão recuperar a confiança.
Outras precisarão lembrar que continuam sendo mulheres fortes, bonitas e capazes de construir novos capítulos.
E você vai descobrir que uma das maiores formas de vencer é ajudar outras pessoas a acreditarem que também podem vencer.
Ah!!!! E existe alguém que eu quero muito apresentar para você:
A Cici. 🤍
Ela será a mascote do Instituto Possas Vencer, escolhida com muito carinho pelas Possetes.
Acho que você iria gostar dela, Cíntiazinha.
Talvez porque a Cici carregue um pouco daquele universo que você criou quando era criança: um mundo onde a imaginação ajudava a atravessar momentos difíceis.
Ela terá leveza, afeto, proximidade e delicadeza dentro de uma causa muito séria.
Vai acompanhar mensagens, projetos e ações, lembrando que o cuidado também pode ter cor, ternura, sorriso e companhia.
Talvez a Cici seja uma prova bonita de que aquilo que nasce na imaginação de uma criança não precisa desaparecer.
Algumas ideias crescem.
Alguns sonhos encontram espaço.
Algumas histórias ganham novas formas de tocar outras pessoas.
E aquilo que você criou para enfrentar a solidão um dia ajudará outras mulheres a se sentirem acompanhadas.
Cíntiazinha, eu não vou dizer que tudo aconteceu por um motivo.
Algumas dores não precisam ser justificadas para serem transformadas.
Você não precisava passar por tudo isso para ser especial.
Você já era.
Criança nenhuma deveria trocar o recreio por tratamento, nem precisar entender o mundo através do medo dos adultos.
Mas a sua história continua.
Ela não termina naquele hospital.
Ela não termina naquela escola interrompida.
Ela não termina naquele momento em que tudo parecia estranho.
Você vai descobrir que vencer não significa apagar aquilo que doeu.
Vencer significa não permitir que a dor seja a única autora da sua história.
É transformar memória em trabalho sério.
Fé em movimento.
Conhecimento em orientação.
Imaginação em projeto.
Afeto em rede.
Amor em parceria.
E cuidado em legado.
Hoje, enquanto essa carta encontra a menina que você é agora, a Dra. Cíntia Possas estará em um avião, seguindo para um grande evento na área do Direito.
Talvez essa seja uma das imagens mais bonitas da sua trajetória.
A menina que um dia não entendia por que precisou deixar a escola agora atravessa o céu para ocupar espaços importantes com sua própria voz, sua própria história e tudo aquilo que construiu sem abandonar a criança que ainda vive dentro dela.
Porque aquela menina continua aí.
Ela continua criando.
Continua acreditando.
Continua ensinando.
E continua lembrando você de que as maiores transformações começam, muitas vezes, com uma pequena ideia dentro do coração de uma criança.